16/.04/2023 escrevi esse texto nessa data, em meu bloco de notas, ainda faz muito sentido..
Sobre percurso e destino final.
Nenhum grande projeto foi criado na primeira tentativa, ele precisa ser revisto, aprimorado, até que chegue em seu objetivo final. E quando penso na potência criativa e o quanto essa potência me deu a possibilidade de me reinventar, recomeçar e reconhecer que tão importante quanto ter um grande projeto, é desenvolver esse projeto. Hoje eu quero falar do meu desenvolvimento, do meu percurso e do quanto é possível ser feliz no trajeto. Eu tenho vários objetivos e um deles era palestrar nesse programa. Quando vi a possibilidade, mesmo pensando..mas eu ainda sou uma.potencia de muitas coisas que desejo ser. Como será possível falar do meu caminho e não do que alcancei? Mas no meio do caminho alcancei objetivos que fazem parte da realização do meu grande projeto. Para mim a beleza da potência criativa está na capacidade de conseguir apreciar as etapas do processo.
Eu sou a soma tambem das minhas tentativas e fracassos. Eu cresci nos anos noventa/2000 assistindo a um filme cujo nome era: De repente 30, em que a personagem principal saía dos 13 anos direto para os 30, trancada em seu quarto ela repetia o mantra: 30 é a idade do sucesso! 30 é a idade do sucesso e de repente, aos 30 ela estava em um emprego maravilhoso, uma casa incrível, carro, ou seja, um completo sucesso aos 30 anos. De certa forma isso fez parte do meu imaginário por um tempo e de muitas mulheres, que aos 30 anos a vida já estaria estabilizada com sucesso. Mas em meu caso, aos 30 anos eu ainda morava na casa dos meus pais, meu emprego não me oferecia a tão sonhada estabilidade, nessa idade eu já tinha sobrevivido a um processo doloroso de luto( perdi um noivo aos 25 anos, que era meu amigo de infância). Então foi na idade do sucesso que recomecei. E no meio do caminho tinha uma pandemia.
Conte pra mim, seja sincero..O que você já deixou de fazer por acreditar que não tinha mais idade? Hoje quero falar da beleza e angústia de recomeçar, a partir dessa chance que me dei, encontrei um amor que nem mesmo eu esperava, a produção de conhecimento. Aos 30 anos, mulher preta resolvi voltar a estudar, ingressei na universidade pública justamente quando instaurou a pandemia. Passado o período mais crítico, voltei às aulas presenciais já aos 32 e recém casada.
Eu pensava será que vou dar conta? Ter ritmo? Gás o suficiente para acompanhar essa loucura que é enfrentar mais uma graduação e na universidade pública em turno integral?
E meu caminho na universidade tem me dado muito orgulho. Meu rendimento acadêmico tem sido de excelência, a partir dessa chance que me dei de recomeçar, já vivi sucessivos recomeços e passei a desejar e sonhar com coisas que nem imaginava, que já tem se concreditazado. Antes de ser mestre eu estou em uma graduação e já sendo bolsista em programa de pesquisa e extensão. Antes de ser bilíngue, eu estou no curso de inglês ofertado pela própria universidade. Antes de me tornar psicóloga, entrei pelo processo seletivo mais difícil, mas que me dará uma formação mais rica e ampla. Percebe? Tão importante quando a finalidade é o meio pelo qual busco alcançar os meus objetivos, a potência criativa se faz presente nessa habilidade de apreciar o percurso, o caminho e entendeu que um grande projeto se faz, desfazendo e refazendo quantas vezes for necessário.
Por algum tempo eu acreditei que talvez não tivesse idade para viver tudo aquilo que nem mesmo.eu sabia que seria possível. Hoje vivo uma rotina de estudante em turno integral e conto a minha rotina de estudante 30+ em minha rede social privada, até quem sabe um dia ter coragem de contar para o mundo, que a idade não pode ser um fator limitante, na busca pelos seus sonhos. Em um mundo cada vez mais focado na produtividade, valorizando cada vez mais a juventude, pensava se haveria espaço para a minha segunda chance.. O tempo passaria do mesmo jeito, recomeçando ou não, e recomeçar foi uma das minhas melhores escolhas. É muito clichê dizer que a idade é apenas um número, que só envelhece quem não tem uma causa, um desejo. Eu sou Jéssica Souza, sonho em ser psicóloga e mestre em relações étnico raciais, e mesmo não tendo chegado em meu destino final, estando no caminho, eu celebro cada conquista, sendo feliz no caminho que é tão importante quando a chegada.
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